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Não foi eu

Esta é uma das expressões mais comuns que se pronunciam hoje em dia. Claro que é uma das frases mais fáceis de pronunciar e, talvez a mais usada. No entanto, podemos dar um passo em frente se formos capazes de reconhecer os momentos em que devemos proferir: Sim, foi eu. Claro que isto é um pouco mais difícil. Haveria que aceitar que fomos responsáveis pelo que se passou e assumir assim as consequências, qualquer que sejam. Podemos deixar-nos prender pelas aparências, os divertimentos, as falsas glórias, os jogos de palavras tais como substituir a palavra "Decompostos", ou “estragados", por "Não compatíveis". Que infantilidade! Talvez ao fazê-lo desta maneira pensamos que podemos minimizar as consequências dos actos, mas nada mas longe da verdade. Se acreditamos nisto estamos enganados. Muitas pessoas vivem numa eterna fantasia que lhes impede enfrentar as realidades tal e como elas se lhes apresentam na vida. A débil atenção humana é muitas vezes seduzida de várias formas para bloquear a necessária reflexão que nos coloca a um passo à frente. O tempo, a vida, esgota-se-nos sem que sequer nos detenhamos um instante. Mas os golpes e as "bofetadas na cara", na verdade, são um presente inestimável. Aprendemos por tentativas, com os erros, com a experiência. Ao tropeçar aprendemos com essa experiência e depois precavemo-nos para evitar novos episódios dolorosos. Ao ver o outro tropeçar, reflectimos e retiramos um ensinamento do que vimos é muito bem possível que aprendamos.

Também é certo que há quem que mesmo que tropece mil vezes nada aprende. O ego não lhe permite. Sem humildade não há aprendizagem. Aprender o quê? A ter consciência. O percurso momentâneo pela experiência humana, breve mas intenso, pode servir-nos para tomar consciência. Também pode que não nos sirva para nada. Tudo depende de nós próprios. Dar-nos conta, conseguir entender. A mesma realidade, geralmente, é interpretada de modo diferente.

Antonio López Villegas


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